24 de agosto de 2016

Cobertas e descobertas


1:30 da madrugada, 
no silêncio da noite
ouço pássaros ao longe, 
e ao meu lado ouço sua respiração.

Sinto o frio tocar em nossos corpos,
e pra nos protegermos há edredons sobre nós.
Mas sem querer, inconscientemente 
eu te descubro. 

Descubro tua pele, teus braços, seios e pernas,
descubro teu sorriso lindo,
teu olhar intenso e penetrante.
Descubro uma história 
contada pelas linhas do teu corpo,
descubro curvas e linhas onde me perco.
Descubro abismos onde me lanço,
descubro um mundo inteiramente novo

O frio novamente nos toca 
e te cubro novamente,
te cubro de abraços,
de beijos e certezas.
Te cubro de amor,
de frases e poemas.

E assim, cobertas de nós, 
deixamos os pássaros cantarem 
em plena madrugada
pois quando se trata de nosso amor, 
descobrimos que nada é impossível. 

Marininha L.


10 de agosto de 2015

Rezar? Sim, eu rezo!



Um conhecido certa vez me perguntou se eu ainda estava rezando, apesar de não ir mais a igreja da forma que eu ia.

E pense comigo, mas afinal, o que é rezar?

Bom, uma vez me disseram que é uma forma de encontrar-se com o Criador, de contempla-lo, admira-lo e enfim, deitar em seu colo e abandonar-se ao seus cuidados..

E diante de tudo isso, respondi que sim, eu tenho rezado. Não da mesma forma que rezava outrora, com o terço entrelaçado nos dedos e uma oração decorada nos lábio, aprendi a encontrar esse Deus no olhar do outro, no pedido de ajuda, no pôr do sol, no som dos passarinhos cantando num final de tarde, no abraço apertado dos meus amigos, no entrelaçar de dedos com minha garota, naquele acorde bonito que o violino dela faz, num show da banda que eu amo. Eu aprendi a me encontrar com Deus em pequenos detalhes. 

Hoje minha oração se faz em conversas e brigas diária com ele e comigo mesma. Hoje minha oração não precisa de uma igreja, não precisa de um livro cheio de regras, só temos um mandamento: AMAR! Fora isso, outras regras a gente quem faz, JUNTOS e respeitando sempre o único mandamento. E todos os dias onde ele me mostra um caminho caminho e eu digo se quero ou não segui-lo, e quando não quero seguir o tal caminho ele não me repreende, não me abandona por conta disso, pelo contrário, ele senta ao meu lado e juntos buscamos um caminho alternativo onde eu seja feliz.

Então sim, eu rezo todos os dias, desde a hora que imploro pra não chegar atrasada ao meu emprego, até o momento que desacelero o passo para sentir a brisa tocar meus cabelos, da hora que brigo com ele pelo metrô lotado até a hora que no meio de tantos carros e fumaças uma borboleta passa diante dos meus olhos.

Sim, e continuo rezando, uma oração mais pura e verdadeira que eu antes fazia, sem cobranças, sem tantas lágrimas por não conseguir ser algo que não sou, rezo apenas como dois amigos que se amam e passam o dia conversando.

Marininha L.


Música para esse post: 



9 de agosto de 2015

Outros olhos


Tirei meus óculos. 
A princípio,
para que meu rosto pudesse caber melhor em teu ombro.
Mas com isso 
desfoquei o mundo ao meu redor 
foquei totalmente em você

Tirei as lentes do meus rosto.
como uma forma de me desprender, 
de me libertar daquilo que eu vejo,
daquilo que me está distante de mim
daquilo que eu ainda não posso tocar.

E sem as lentes, 
como míope que sou,
pude descobrir e ler o teu corpo como livro em braile
e sentir com meus dedos tudo o que é teu

Eu limitei minha visão.
Propositalmente
para que todos os outros sentidos sincronizassem aos teus
para poder assim te ver com outros olhos
pois como já se diz no livro do Pequeno Príncipe:

"o essencial é invisível aos olhos"

Marininha L.

E a inspiração, para onde foi?



A alguns meses atrás me indagaram o porque não escrevia mais, o que havia acontecido... eu não soube responder, mas me perguntei por onde andava a tal inspiração. E então, observando meus dias, eu notei quanto tempo eu tenho gastado no meu aparelho celular nesse últimos tempos e a relação disso com tudo o que eu sou.

Quantas vezes deixamos de contemplar o mundo real pois estamos conectados, curtindo tudo no virtual? O quanto deixamos de ver e ouvir? 

Descobri que, quanto mais tempo conectados no celulares, tablets e afins, menos tempo temos para estar conectados a nós mesmo, ao que queremos e precisamos, deixamos que o virtual nos diga quem somos e o que precisamos, nós deixamos de nos ouvir.

Não é fácil se desconectar, o virtual é mais fácil, mais leve, nos dá respostas fáceis e rápidas e com essas respostas muitas vezes deixamos de pensar por nós mesmos. E assim a inspiração se vai, os pensamentos se perdem diante de tantas informações que chegam diante de nossos olhos e vamos nos perdendo.

Eu estou na luta, tentando me conectar um pouco mais ao que está off-line e assim me inspirando mais, me encontrando mais, sendo menos virtual e mais REAL!

Feche a janela do computador e deixe a luz entrar em você!

Marininha L

31 de julho de 2015

Desconfio

Desconfio que o amor não acontece quando todas as músicas românticas fazem sentido... Mas sim quando nenhuma música é capaz de expressar esse sentimento tão enorme dentro de nós...

Marininha L.

Teu toque


Em meio a tanta poluição sonora, diante de um mundo tão eufórico eu encontrei você. Em meio a tanta bagunça, os meus dedos entrelaçaram nos seus e num estalo tudo se fez silêncio. 

Teu toque me aquieta, me silencia. Teu abraço me desacelera, me desconecta desse mundo insano e me faz lembrar quem eu sou.

Teu toque vem repleto de significado, me traz de volta a paz e as palavras que os dias dessa vida me tiraram, teu toque me faz florir em pleno inverno.

Marininha L.

Feito o Mar


O amor é feito mar, intenso, inconstante. Hora vem, hora vai, pode ser marola ou tsunami.

O amor é feito mar, não foi feito pra ser preso, você pode coloca-lo num potinho, mas ele deixa de ser mar e passa a ser apenas água e sal, perde sua essência.

O amor é feito mar, é intenso e cheio de vida, repleto de altos e baixos. É preciso ter coragem para sair da orla da praia para se aventurar em águas mais profundas e sabedoria para se manter em alto mar.

O amor é feito mar, que se perde de vista, que não tem início nem final, é onde muitos se aventuram, se perdem, naufragam e descobrem outros continentes, outros mundos. 

O amor é feito mar, que pode te ensinar a viver ou a morrer.

Marininha L.

10 de julho de 2015

Cheiro da Morte


Hoje pela manhã havia um urubu pousado na torre da igreja. 
Possivelmente tenha sentido o cheiro podre daqueles que ali, confessam seus pecados.
De um lado o cheiro daqueles que, voluntariamente, morrem um pouco a cada dia diante do altar para que, de alguma forma, possam renascer em Deus e de outro, o cheiro daqueles que são massacrados diariamente pela religião, como um sacrifício obrigatório, para que encontrem (querendo ou não) a sua "salvação".
Debaixo da torre da igreja, seja como for, emana o cheiro da morte.

Marininha L.

6 de fevereiro de 2014

Carneirinhos

Imagem de Turiel
Sentou-se a próxima da janela,
recostou sua cabeça e admirou.

Dezenas de carneirinhos se juntavam no céu,
como se estivessem ajudando o sol a nascer.

Ela fitou o rebanho e contou, 
um a um...

E depois acordou,
duas estação à frente da qual deveria descer.

Marina L.
Fev/2014

19 de dezembro de 2013

No saguão

Semana passada, chegando na Estação Luz me deparei com uma cena muito triste. O piano que ficava no saguão que dá acesso à estação estava jogado no chão todo estourado, com uma faixa cercando o local e um aviso de que o ato, nada mais foi, do que vandalismo.

Para que m não sabe, esse piano ficava aberto na estação para qualquer um que se sentisse a vontade o tocasse, desde músicos que tocavam grandes arranjos, até os moradores de rua que com simples notas emboladas e perdidas no meio dos sorrisos fazendo os transeuntes parararem para admirar como é possível ser feliz com tão pouco. Doeu ver o piano, que tantas vezes alegrou e distraiu tantas idas e vindas, completamente torto e abandonado no meio do caminho.  

Enquanto desviava do piano para seguir meu caminho me perguntei: "Mas porque não o tiraram do meio do caminho, ou apenas o reergeram?!" e após uma longa relflexão eu entendi. Era preciso que todo mundo visse o estrago, aquele piano no chão era uma forma de protesto.

Engraçado como nós também somos assim, deixamos livre aquilo que temos de mais lindo e caro para as pessoas tocarem, na esperança de que quando um tocar outros sintam a melodia e que isso possa mudar um pouco o mundo. E então, quando menos esperamos surge alguém e te vandaliza, te joga no chão e destrói aquilo que era pra ser de todos e para todos. E mesmo que reerguessemos o que foi quebrado, não funciona mais da mesma forma, então deixamos alí pra mostrar o quanto dói essa destruição.

Depois de dois dias retiraram o piano, e hoje o saguão é apenas um saguão repleto de pessoas correndo para todos os lados e que não param nem quando esbarram uma nas outras. E assim é a vida. A cada vandalismo seja ele qual for, traz uma perda, um silêncio, um vazio, seja no saguão da estação, ou do coração.

1 de junho de 2013

Definitivamente Eu

Sabe aquele texto que você tem a impressão que a pessoa escreveu cada uma das linhas falando de você?! Pois então, esse é um desses textos... Até tentei separar as partes que mais se encaixavam comigo, mas o texto todo faz isso, então aí vai ele completo:


"Definitivamente eu"
"Ela era totalmente maluca. Um pouco fora dos padrões femininos. E ela não se preocupava nenhum um pouco com isso. Não tinha o costume de ligar para dizer que estava com saudades, nem mandar mensagens de boa noite. Mostrava suas opiniões como quem se dá algo emprestado, mas não gostava de pedir nada em troca. Achava as pessoas chatas, bobas, mal educadas, insensíveis e não via graça na maioria das coisas que elas faziam. Não demonstrava sentimentos, embora era carente deles. Não tinha medo, embora não deixasse as pessoas se aproximarem logo de começo. Ela reconhecia a sua personalidade, tinha sempre uma explicação na ponta da língua para as suas atitudes e várias desculpas para as suas mentiras.

Aquela moça era feita inteiramente de sonhos, embora já tenha desistido de alguns. Trocava de lugar quando algo não lhe fazia bem. Era justa nas suas decisões, pois sabia que mais ninguém além dela mesma saberia o que te faria bem. Era determinada e um tanto indecisa. Partia, voltava, partia, voltava, até que um dia ela partiu e nunca mais voltou. Tinha explicações para tudo, até mesmo para a sua falta de explicação. Às vezes ela perdia o controle quando percebia que alguém tentava mudar a sua direção. Mas logo tomava o rumo de toda a situação. Não gostava de desperdiçar as horas deitada na cama. Ela era movida a uma energia sem explicação. Não aparentava ter a idade que tinha e gostava disso, pois não se sentia bem ao lembrar da sua obrigação.

Fria, calculista, ácida. Engoliu besteiras a vida toda, hoje ela vomita sinceridades na cara das pessoas. O que ela tem de errado ela não concerta, pois sabe que pode perder a graça sendo certa. Tomava decisões e se embriagava de desafios. Perdia-se a cada mudança e logo se encontrava nas próprias esperanças. Não gostava de esperar. Sentia sono ao acordar. Sabia separar cansaço com desânimo. Tinha os pés no chão mas percorria com velocidade as nuvens de algodão. Adorava dias de Sol, mas por dentro era constante as tempestades de emoção.

Ela tinha um olhar penetrante, um sorriso sincero e um tanto sem jeito. Sensível, descobriu que gostava de tristeza, de escrever sobre ela e de afogar nos seus próprios dramas. Reclamava das coisas por costume. Era intensa nos seus sentimentos, fiel nos seu compromissos, dava conselhos mas não os seguia. Descobriu com o tempo que demonstrar suas dores era colocar a sua própria vida em risco. Mas não adianta, sua teimosia falava mais alto. Ela espalha por aí na ponta do lápis e na tela de um computador a sua dor e a sua felicidade. Ela se define mas não se limita, pois ela é totalmente fora dos padrões de limite."

Escrito por: Maíra Cintra

5 de abril de 2013

Acordar - Álvaro de Campos


Eu adoro todas as coisas 
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite. 
Tenho pela vida um interesse ávido 
Que busca compreendê-la sentindo-a muito. 
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo, 
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas, 
Para aumentar com isso a minha personalidade. 

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio 
E a minha ambição era trazer o universo ao colo 
Como uma criança a quem a ama beija. 
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras, 
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo 
Do que as que vi ou verei. 
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações. 
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos. 
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca. 

21 de março de 2013

Então é


“Porque amor é justamente isso, é ficar inseguro, é ter aquele medo de perder a pessoa todo dia, é ter medo de se perder todo dia. É você se ver mergulhado, enredado, em algo que você não tem mais controle.”
Fabrício Carpinejar. 

20 de março de 2013

Saiba...


Sinto que posso amá-la. Sinto, não garanto que poderia realmente fazê-lo. Quero-a, mas tenho vergonha de manter o olhar fixo no dela, meu rosto cora e não consigo reunir meia dúzia de palavras inteligentes para lhe corresponder. Ajo feito boba. Sempre a perco em todas as chances que ela me dá para ganhá-la. Não sou boa em conquistas, sou melhor em perder territórios.

Texto original de: Cáh Morandi

Sim...

Eu encaixo certinho no teu abraço. É um pouco tímido ainda, é um pouco frio ainda, mas sei que tenho meu lugar no mundo. Seu olhar me procura na multidão, sempre me encontra. Sua mão segura meu pulso no meu passar, volto para te firmar. Tenho medo do que posso sentir, tenho medo de te dizer sim. Só não quero deixar de ir, de retribuir teu gesto discreto, teu riso ingênuo. Te levo como meu último pensamento antes de dormir.

Sim, isto é para você.

Cáh Morandi